Natal, RN
02 de Setembro de 2010
Quem esperava uma reação mais contundente ao anúncio do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Robinson Faria (PMN), de deixar a base para se compor com o Democratas na condição de candidato a vice-governador viu uma governadora Wilma de Faria (PSB) econômica nas palavras. Fugindo ao seu estilo mais agressivo, de quem não costuma levar desaforo para casa, ela preferiu não atacar, dando uma resposta elegante às declarações de Robinson. Ele afirmou que a governadora quebrou compromisso assumido com ele porque conseguiu se viabilizar como o candidato a governador do sistema e chegou a declarar que Wilma não se comportou como líder nesse processo.
Nos bastidores, houve uma forte atuação da chamada "tropa de choque" do vice-governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) - também criticado por Robinson - que a instigou responder de forma insiciva, até dura. As informações são de que os deputados estaduais Wober Júnior (PPS) e Gustavo Carvalho (PSB) queriam a todo custo que Wilma atacasse Robinson. Por outro lado, houve aconselhamento para que não radicalizasse porque o momento não é conveniente. Cedo ou tarde (o resultado das urnas dirão), a governadora percebeu que poderia terminar sendo prejudicada caso continuasse a colocar os interesses do projeto de Iberê à frente dos seus.
Embora seja presidente estadual do PSB e tenha interesse direto no sucesso da candidatura do vice-governador, Wilma de Faria tem pela frente uma disputa de titãs por uma das duas cadeiras do Senado. Portanto, assim como os senadores Garibaldi Alves Filho (PMDB) e José Agripino Maia (DEM) não têm descartado apoios, ela também não poderá. A governadora vai começar de descolar de Iberê e ir atrás de respaldo de lideranças do interior mesmo que não integrem formalmente a sua base aliada e independente de votarem ou não no vice-governador. Segundo um integrante do governo, ela não pode se dar ao luxo, por exemplo, de fazer campanha somente nos municípios nos quais o vice-governador seja o candidato apoiado pelos prefeitos.
Argumentos
A principal argumentação utilizada para convencer a governadora de que, durante os últimos meses, ela foi, de certo modo, usada por correligionários mais ligados a Iberê do que a ela. Em muitas ocasiões, Wilma chegou a se distanciar de aliados como o deputado federal João Maia (PR) e do próprio Robinson por causa de declarações e ações feitas em defesa do vice-governador. Interlocutores fizeram a governadora ver que aqueles que, mais uma vez defendiam a repetição de um comportamento mais contundente, não toparam defendê-la publicamente, do modo como fizeram em relação a Iberê Ferreira anteriormente.
A governadora Wilma de Faria também espera contar com o apoio de prefeitos e até de deputados que integram o grupo liderado pelo deputado Robinson Faria. Além do deputado Antônio Jácome (PMN), ela acredita que pode conquistar o apoio do secretário estadual de Articulação com os Municípios, deputado licenciado Raimundo Fernandes (PMN).
Em relação a Iberê, a governadora - que entre os mais chegados é tida como uma pessoa desconfiada, sempre em alerta - não alimenta muitas expectativas em relação à gestão do seu sucessor. No histórico, Wilma teve o rompimento com o ex-prefeito de Natal Aldo Tinôco e, depois, o afastamento do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), quando após a reeleição exonerou as pessoas mais ligadas a ela.
Por Flávia Urbano do DIARIODENATAL.COM.BR
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