Natal, RN
14 de Março de 2010
Minha coluna impressa não sairá neste domingo, em função do encarte em homenagem ao Dia da Poesia, publicado no Diário de Natal. Então, segue aí abaixo o que seria publicado, escritp às pressas, pra variar:
Como vender cultura?
A teoria ensinada nas faculdades de jornalismo vira pó no moinho da prática diária nas redações. O jornalismo cultural talvez represente a ala das maiores discrepâncias. E longe deste aprendiz julgar qual o hemisfério onde mora a verdade, o correto. Deixa lá pro Daniel Piza, Adorno, Horkheimer e outros. De certo, afirmo: teoria não vende jornal. E jornal é produto empresarial, carece de dinheiro.
A tarefa é hercúlea: unir o útil ao agradável: boas matérias à vendagem. Surge o principal questionamento: qual assunto vende mais? Uma exposição de arte cinética ou um perfil com a Banda Grafith? Qual tem maior valor cultural? A exposição? Tudo bem. Mas qual o “nicho” interessado nessa matéria? Ínfimos artistas. E qual a abrangência de uma matéria bem produzida com o Grafith? Não seria popularizar a bola leitura e a informação?
O dilema é complexo. Inclui ainda a problemática das matérias factuais e as ditas “frias”, fora do criticado “agendão”. Intelectuais preferem discussões aprofundadas acerca da “alta arte”. A grande massa deseja saber as novidades do dia. E no meio do embate está o jornalista, interessado em agradar, gregos, troianos, babilônicos e outras tribos. Descendo do muro, defendo: o “agendão” pode ser informativo aos intelectuais desde que bem escrito, informativo, contextualizado, sem deixar a peteca das críticas aprofundadas cair.
Preá: Neste Dia da Poesia é oportuna uma lembrança: o lançamento de uma edição de uma edição especial da revista Preá, de cunho publicitário. Nela, promessas e mais equívocos. Sequer metade do que estaria “previsto e acordado” para 2009 foi cumprida. Esperemos outra edição.
Homenagem: Senti falta na programação municipal montada para o Dia da Poesia
das homenagens aos poetas. Ano passado tivemos Nei Leandro de Castro e
Volonté. Por que não este ano? Estranho. Falta argumentar que faltou verba,
também.
Mobydick: Quem sobe ao palco do Sgt. Peppers de Ponta Negra para tocar com a Mobydick amanhã é a estreante Ledgers, dentro do projeto Primeira Audição. O projeto pretende abrir portas às bandas novas do rock potiguar. A partir das 21h. Ingresso: 7 dinheiros.
Twitter: (jovensartistas) “A Comissão Normativa do Projeto Djalma Maranhão já tem novos membros: Francisco Alves, Yuno Silva, Lenilza Alves e Romildo Soares”. Essa galera tem a responsabilidade de analisar e aprovar projetos culturais pelo Programa Djalma Maranhão.
JOVEM ARTISTAS
A novidade da cena cultural de Natal é o surgimento do Núcleo de Jovens Artistas, ou NJÁ. A galera se diz um coletivo criado a partir da necessidade notória de articulação política dos grupos e/ou artistas locais. Objetivo: qualificação e inserção profissional e recebimento de cachês em dia, sem competição com os coletivos já existentes na cidade. O coletivo já elaborou uma pauta de iniciativas. Entre elas, fóruns, ciclos de palestras e mapeamento dos grupos e artistas de teatro locais. Blog do NJÁ: nucleodejovensartistas.blogspot.com
DIA DA POESIA NA UFRN
A UFRN comemora o Dia da Poesia amanhã (segunda-feira) com o projeto Con-Versa com Prosa. Início ás 7h com o Café com Poesia, na pracinha do CCHLA. Ainda o lançamento do livro Auto da Barca na Terra dos Danados e do Letras Cantadas. Às 8h, acontece a Caminhada Poética. A programação da tarde, segue com palestra proferida pela poeta Neuza Pinheiro, no auditório da Escola de Música, das 16h às 18h. Após a palestra, acontece às 19h, o lançamento do teatro-livro A Farsa de Inês Pereira no Alto do Seridó.
Pink Floyd x Download
A Alta Corte britânica ordenou que a gravadora EMI pare de vender downloads individuais de músicas do Pink Floyd, podendo apenas comercializá-las como parte dos álbuns originais da banda, informou a Associated Press, de Londres. O grupo havia processado a companhia alegando que o contrato proíbe a venda separada das músicas. A EMI justificava que a regra contratual valia apenas para os álbuns físicos, e não para a internet.

Tirei a prova da afirmação de que matérias jornalísticas precisam deixar margem à interpretação do leitor.
O texto do professor Tarcísio Gurgel na Palumbo, a respeito da visita de Mário de Andrade em Natal, é um primor.
Fiquei deslumbrado com o valor das informações e mais ainda com a caninga de Cascudo para Mário voltar à cidade, ao enviar uma série de cartas ao etnógrafo paulista.
Para Tarcísio, as respostas de Mário denotavam o enorme desejo e a impossibilidade de voltar a Natal. Para este blogueiro, apenas respostas elegantes de Mário à insistência de Cascudo.
Aliás, dei boas risadas com as respostas, que aos poucos perdem a compostura, mas sem sair do prumo. Ora, Cascudinho insistiu para que Mário voltasse por mais de 11 anos! Num tem alma que aguente.
Senão, vejamos as respostas. A primeira, em 1931, Mário traça um roteiro de viagem que inclui o Rio Grande do Norte no meio. Nada além disso.
Na segunda, Mário cita novamente o Nordeste, e diz: "(...) só se Deus dispuser o contrário, está tudo preparado, até o dinheiro da viagem reservado, e rendendo juros na Caixa Econômica". Não veio.
Na terceira, o paulista afirma que, quando vier, estará "incomparavelmente acomodado na amizade de vocês. (...)".
Já na quarta, começa: "Você fica proibido de me chamar mais uma vez aí pro Nordeste. Não posso mais, esses chamados me fazem mal. Por tudo quanto eu sou de sincero, acredite que não é só você e sua gente que adoro mesmo, mas adoro esse Nordeste muito (...)".
Depois, se perdebe o inícioda impaciência ante a ansiedade do amigo: "Olha, Cascudinho, eu vou. Eu disse que vou e vou mesmo. Agora a viagem está marcada para novembro do ano que vem. Eu vou, mas não me chame mais. Eu vou não é pra cumprir a minha palavra que vou; vou porque tenho de ir; (...)".
Veio outra carta em 1936 até um convite fatal, uma penúltima cartada: o pedido para que Mário venha crismar o afilhado Fernando, filho de Cascudo.
Mário, mais uma vez elegante e atarefado, responde: "Agora, descansado e mais forte estou disposto a continuar, apenas convencido que a ilusão talvez seja a única coisa que ainda se pode salvar deste caos humano. Guardarei a ilusão de que ainda trabalho e só".
E olha que ainda houve oferta de uma casa na insólita praia de Areia Preta, à época, conseguida junto ao Presidente de Governo à época, Juvenal Lamartine. E advinha de quem foi o pedido: Cascudinho.
E Tarcísio escreve: "Nas poucas cartas que se seguiram não há mais qualquer registro do desejo de voltar".
Ora, convenhamos...
A quem quiser se debruçar melhor no tema, o folclorista Veríssimo de Melo reuniu todas as cartas em livro. Melhor mesmo é comprar essa terceira edição da Palumbo, que tá uma beleza e ler a preciosidade do texto de Tarcísio e muitos outros. Comento depois.
Casa da Ribeira completa nove anos de fundação com programação comemorativa de hoje a domingo
O primeiro ato da Casa da Ribeira mostrava onze atores vestidos de clowns em luta pela abertura de um novo e promissor espaço teatral. Corria o ano de 1999. O prédio da Rua Frei Miguelinho estava abandonado na velha Ribeira. Somente três anos depois, em 2001, seis dos integrantes do Clowns de Shakespeare conseguiram captar a bagatela de R$ 1,2 milhão para abertura da casa. Era o começo do sonho e de uma batalha de nove anos em busca da estabilidade financeira.
A Casa da Ribeira está em festa. Manter um espaço cultural duradouro em Natal é tarefa para poucos. Para comemorar o feito, inicia hoje programação comemorativa com uma série de espetáculos a preços populares, até domingo (ver programação). Uma das peças, Gesto, Cascudo, é encenada por um grupo de jovens formados pela própria Casa. O projeto Educação pela Arte é o símbolo dos novos tempos e foco de trabalho dos diretores. Mas até chega aí, outros atos foram apresentados.
Em 6 de março de 2001, a Casa da Ribeira era inaugurada, comandada pelo Clowns de Shakespeare. “Quando abrimos, vimos que o buraco para manter era mais embaixo. Logo, muitos do grupo largaram o projeto e depois ficamos os três que permanecem até hoje. No primeiro ano trabalhamos de 10 a 12 horas ao dia sem receber nada. Passamos pelo menos seis meses sustentados pela família”, lembra Henrique Fontes, um dos diretores da Casa, junto com Gustavo Wanderley e Edson Silva.
Segundo Henrique, a Cosern havia patrocinado R$ 420 mil, depois a Petrobras também financiou outra quantia significativa, o Armazém Pará cedeu o material de construção e, junto com apoios menores o grupo conseguiu o R$ 1,2 milhão necessário. “A Cosern acreditou no projeto mesmo antes de a Casa abrir”, ressalta o diretor que, à época, contou ainda com o esforço dos “clowns” Renata Caiser, Fernanda Yamamoto e César Ferrário, depois substituído por Ronaldo Costa.
Sem deixar a peteca cair ou a cortina fechar, os seis diretores procuraram manter a Casa da Ribeira em pé. Conquistaram now hall, reconhecimento e mídia. “Começamos a receber premiações, realizar consultorias, espetáculos cada vez mais procurados, e promover projetos que ajudavam na manutenção”, disse Henrique.
Mesmo assim, a Casa da Ribeira nunca conseguiu a estabilidade financeira esperada. Ainda hoje dependem da renúncia fiscal da Lei Câmara Cascudo e do sucesso de iniciativas próprias. “Ao contrário do que pensam, não é a bilheteria quem sustenta os custos da casa, é a pauta. Vendemos por R$ 470. Se você calcular, precisaríamos abrir a casa todo dia para cobrir os R$ 16 mil de manutenção necessários ao mês. Seria impossível. Não temos público para isso. No máximo abrimos de quarta a domingo”, lamenta.
Educação pela Arte
Após um período de um ano e meio de prejuízos, a Casa da Ribeira fechou por três meses, entre janeiro e março de 2004. “Foi bom porque assistimos a mobilização da sociedade, inclusive do Diário de Natal para reabrirmos”. E uma das iniciativas mais sensíveis partiu de quem nunca freqüentou a Casa. “Nos surpreendemos com a visita de diretores de escola das Rocas, perguntando como poderiam ajudar”. Este foi o embrião para o novo foco de trabalho da Casa.
Desde 2007, a Casa da Ribeira trabalha junto às escolas públicas com o Arteação – iniciativa em parceria com o Instituto Ayrton Senna atrelada ao desenvolvimento humano pela arte, vencedor de várias premiações. Somente em 2009 foram três prêmios nacionais. E este mês, a Casa foi agraciada com o Cine Mais Cultura, que entre outras coisas garante a exibição de filmes no pátio das escolas públicas da cidade.
Todos os projetos montados pela Casa da Ribeira nestes nove anos ofereceram acesso a mais de 150 mil pessoas e mais de 1000 espetáculos de teatro, dança e música, além de exposições de arte contemporânea do circuito internacional. “Acho que estamos de parabéns. Muitos pensam que recebemos rios de dinheiro, quando praticamente conseguimos o suficiente para manter a Casa e o projeto junto a esses jovens estudantes”, conclui Henrique Fontes.
Programação de aniversário da Casa da Ribeira
Grupo Casa da Ribeira de Teatro
Espetáculo: Gesto, Cascudo
Quando: Hoje, às 20h. R$ 5
O que: A peça “Gesto, Cascudo”, primeiro trabalho do Grupo de Teatro Casa da Ribeira, se apresenta novamente no palco da Casa. A peça traz o pensamento e os sentimentos de Câmara Cascudo sobre o tempo, o gesto e a vida provinciana em Natal.
Sí-la-bAs Companhia de Dança
Espetáculo: Sente-se
Quando: Amanhã e sexta-feira, às 20h. R$ 5
O que: A Companhia Fundada na Alemanha é totalmente independente e procura construir uma linguagem própria a partir das estruturas cênicas desenvolvidas na dança-teatro. O seu objetivo principal é desenvolver um trabalho que questione as inter-relações humanas que presenciamos no dia a dia.
Simona Talma
Show: Boa Sorte de Malfeitores
Quando: Sábado, às 20h. R$ 5
O que: A cantora se apresenta no aniversário da Casa da Ribeira, com seu show Boa Sorte de Malfeitores, uma apresentação para falar mal dos mal-feitores do amor, ou o que chama de Gangster Love, sendo homens ou mulher vamos nos livrar dos cafajestes e rir pelas suas costas.
A Domínio Companhia de Dança
Espetáculo: Fuxico
Quando: Domingo, às 20h. R$ 5
O que: O espetáculo é pretendido, sem se a ter aos psicologismo, sociologismo, e até mesmo ao antropologismo, destinado a discutir teorias e conceitos a partir de experiências sociais cuidadosamente investigadas em um trabalho de cunho especificamente artístico, que se vai mostrar através da arte de dançar.
* Matéria publicada hoje no Diário de Natal
O clima na redação nem está melancólico, triste. A foto de despedida mostrará semblantes alegres à posteridade. Minha impressão é de que ninguém percebeu o momento histórico, de mudança do Diário de Natal, da sede de tantas batalhas travadas, para a Zona Norte - um prédio suntuoso, moderno, com cara de novidade.
Lá embaixo, as pilhas de jornais do arquivo são levadas em caminhões. Jogam as coleções sem nenhum sentimento. Parecem coveiros enterrando caixões. Se soubessem o valor daquelas peças... Outros adentram suas salas como em dias comuns, indiferentes ao momento.
Soube agora que "Seo" Arino veio ontem se despedir do prédio em que trabalhou 50 anos. Acho que Seu Arino guarda o mesmo sentimento meu. Claro, tenho lá apenas seis anos de vida - uma criança ainda de muitos porques. Mas nasci aqui e ainda me crio por aqui, já com alguma rebeldia adolescente, alguma maturidade adulta e muito o que aprender. Ainda me vislumbro como uma criança.
Vendo os caminhões em idas e vindas levando material, armários, jornais, tenho a sensação de estarem transportando história. Seguem ali a alma da Rádio Poti, o idealismo de Djalma Maranhão, o pioneirismo de Luiz Maria Alves, o sarcasmo saudoso de Machado, vitórias e derrotas de tantos que vestiram a camisa do jornal...
Domingo estarei lá, no prédio com semblante de progresso. No plantão, estrearei as primeiras matérias elaboradas a partir da nova sede. A galera está animada, mesmo pela distância incômoda. Eu também. Mas o que fica é esse sentimento de nostalgia - aquela saudade dolorosa.
Segue pra lá uma galera nova, competente, cheia de energia e vontade de tocar pra frente a jangadinha do jornal impresso, frente aos saveiros e navios da internet. Mesmo os mais antigos, em novas funções, parecem renovados em suas aspirações. No todo, é um projeto ousado, bem encaixado com a modernidade e proposta da nova sede.
Mas o progresso que atropela memórias parece antagônico à simplicidade. Vou sentir falta. E desconfio que lá não caberia a cena cotidiana de chegar à redação, acenar com apenas um "digaê Seo Arino", e ele responder, de supetão: "Òpa, tudo na santa paz de Deus!". Era o começo do dia...
Presidente da Funcarte acredita na presença de Saramago em vídeo-conferência durante encontro literário
Aos poucos, o novo encontro literário promovido pela prefeitura de Natal para substituir o Encontro Natalense de Escritores (ENE) começa a tomar forma. As definições do projeto estão em andamento ou sob sigilo absoluto. O presidente da Capitania das Artes, Rodrigues Neto, adiantou algumas novidades, antes da montagem completa do evento e conseqüente coletiva para divulgação. Entre elas, a ideia de articular uma videoconferência com Saramago – único escritor de língua portuguesa vencedor de Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo Rodrigues Neto, o orçamento para o encontro já foi definido. “Será aproximadamente metade do valor investido no ENE”, adiantou. A redução de custos será conseguida pela parceria com a União das Cidades de Capitais Lusófonas (Ucla). São 33 ao todo, espalhadas pelo mundo. E Natal é uma delas. No caso do encontro, a Ucla patrocinará os custos de viagem e hospedagem dos convidados internacionais do evento. “Pagaríamos apenas os custos dos escritores nacionais”, frisa o presidente.
O comunicado foi feito a todos os convidados. “Alguns já confirmaram. Não todos. Mas temos boas perspectivas de trazer Saramago para uma vídeo-conferência”. Rodrigues Neto havia adiantado a confirmação do angolano Eduardo Agualusa e do baiano João Ubaldo Ribeiro à coluna Diário do Tempo, publicada aos domingos neste jornal, assim como os dias do evento: 29 e 30 de março, e 1º de abril, já com pauta reservada no Teatro Alberto Maranhão – informações ratificadas pelo presidente.
Quem está por trás dos contatos com os escritores de língua portuguesa são o saxofonista Carlos Martins, o assessor especial para assuntos internacionais do governo da Bahia, Nestor Sobrinho, e o português Miguel Alacoretta, membro da Ucla. “Carlos é bem relacionado com Agualusa e Saramago, e Nestor e Miguel têm nos ajudado muito nesses contatos e na logística para trazer esse pessoal”.
Rodrigues Neto também disse estar em formação uma curadoria para o evento. O folclorista Deífilo Gurgel e o jornalista Vicente Serejo são alguns dos nomes a serem convidados. A coordenação do evento ficará sob responsabilidade da secretária municipal de Relações Institucionais e Governança Solidária, Iraci Azevedo (que também coordenou a montagem do Natal em Natal) e algum representante da Funcarte a ser definido. Segundo Rodrigues Neto, a produtora cultural e hoje chefe do Núcleo de Artes da Funcarte, Cida Campello, pode ser o nome indicado.
Rodrigues Neto também confirmou a ideia de trazer o tropicalista Gilberto Gil como única atração nacional para os shows. “O restante serão artistas locais e internacionais. Aliás, o evento pretende formar esse intercâmbio entre o artista de língua portuguesa e o natalense, seja na música ou nas letras”.
Revista, livros e comunicação
Pelo menos dois livros prometem ser lançados durante o evento. O primeiro é da pesquisadora Nathalie Câmara. “É uma espécie de tradução; uma autobiografia de Nísia Floresta. Fiz um convite informal a Nathalie, que é minha amiga. Espero que ela aceite e também participe de uma das mesas de debate para discutir a obra de Nísia, que neste ano completaria 200 anos (em 12 de outubro) se estivesse viva”, disse Rodrigues Neto.
O segundo livro será (ou seria) sobre um compêndio organizado e pesquisado pelo folclorista Deífilo Gurgel durante mais de dez anos a respeito do romanceiro potiguar. Mas o próprio Deífilo disse ontem nunca ter sido procurado para tal e que o livro demorará pelo menos mais um ano para ficar pronto. “Agradeço a boa vontade da Capitania, mas faltou comunicação”. A própria Nathalie também disse desconhecer o convite.
Quanto à revista cultural da Capitania, programada para ser lançada no ENE com o nome de Ginga, agora depende do apoio da secretaria municipal de Comunicação para ser lançada durante o encontro literário. Segundo Rodrigues Neto, o titular da pasta, Jean Valério, já foi comunicado a respeito. “Iremos nos reunir, juntamente com Andréia Motta (adjunta da Comunicação) para tratar do assunto”,
Rodrigues Neto disse da impossibilidade de a Funcarte bancar o lançamento e regularidade da revista. “A Assecom tem à disposição cinco gráficas já licitadas. Será muito mais fácil fazermos em conjunto, sendo o material gráfico editado por lá”. O presidente afirmou ainda que a revista poderia ser lançada durante o ENE (no fim de novembro), mas o pagamento da equipe não estava garantido porque o orçamento não estava incluído no Plano Plurianual da Prefeitura e também faltou a licitação da gráfica.
“E quando entrei na presidência ainda peguei o abacaxi de duas gráficas brigando pela edição da revista, uma dizendo que tinha apresentado o preço mais barato... Então, eu fiquei no meio dessa história. Quero fazer tudo direitinho. Acho excepcional a ideia da publicação”, reclamou.
* Matéria publicada nesta quinta-feira no Diário de Natal
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