Allan Darlyson, especial para o Diário de Natal
Apesar de a prefeita de Natal, Micarla de Sousa (PV), não admitir ainda a candidatura à reeleição, os atos administrativos da gestora neste início de ano apontam para objetivos políticos futuros. Essa é a análise do cientista político Alan Lacerda, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Na visão dele, a exoneração dos cargos de segundo e terceiro escalões da prefeitura acena na direção de uma preparação para as eleições deste ano.
Segundo o cientista político, as mudanças de cargos nas funções "inferiores" indicam que há uma necessidade identificada pela prefeita de buscar pessoas "fieis" para compor a gestão. "A reforma pode ter ocorrido para tentar reverter a rejeição popular que existe hoje à administração ou premiar as pessoas que mostraram maior fidelidade à prefeita. Como a reforma foi profunda, atingindo cargos inferiores, há um indicativo de que pode ser uma preparação para a disputa pela reeleição", analisa.
Do ponto de vista político,Lacerda avaliou que a reforma não deverá ter grandes frutos para a prefeita. Ele acredita que, assim como das outras vezes, a substituição de secretários não mudará o cenário que se desenha para as eleições deste ano. "Não fica claro qual a finalidade da prefeita ao fazer tantas mudanças no primeiro escalão, pois já fez várias reformas e não conseguiu se reforçar politicamente. O histórico das mudanças não é nada animador. Ela não tem conseguido nem agregar politicamente nem melhorar administrativamente", enfatiza.
Para o cientista político, faltou na gestão de Micarla um "homem forte" para assumir funções de peso junto com ela e dividir o desgaste. "A gestão da prefeita Micarla de Sousa não definiu ainda seu perfil. Não tem uma cara. Iniciou com o indicativo de que o DEM, com Augusto Viveiros, seria o grande parceiro, um homem forte na gestão. Depois, ele foi demitido. Em seguida, Kalazans Bezerra aparecia como esse homem, mas não se firmou. A própria prefeita não se permitiu ter uma força que ela precisavana gestão", observa.
Alan Lacerda prevê que o isolamento político pelo qual passa Micarla de Sousa deverá persistir até as eleições. "O isolamento político de Micarla se deu devido à rejeição popular à administração. Quando começaram a ver o rumo que a gestão tomava, os partidos começaram a criar seus próprios objetivos paralelos ao da prefeita. Para se aliar a algum dos grupos, acredito que a gestora teria que desistir da reeleição e ceder seu partido em uma das coligações", conclui.
Balanço
A prefeita Micarla de Sousa empossará na tarde de hoje os novos secretários municipais. A solenidade será realizada às 15h no auditório do Centro Municipal de Referência em Educação Aluizio Alves (Cemure), na Cidade da Esperança. Em seguida, a gestora fará um balanço dos três primeiros anos de gestão. As nomeações dos novos secretários foram publicadas no último sábado, no Diário Oficial do Município (DOM).
Vereador: reforma não terá poder de mudar "perfil sem rumo" da gestão
Na avaliação do vereador George Câmara (PCdoB), que faz oposição à prefeita Micarla de Sousa na Câmara Municipal de Natal (CMN), a reforma administrativa realizada pela gestora neste último ano de mandato não terá o poder de mudar o "perfil sem rumo" da prefeitura.
Para o comunista, a necessidade de tantas trocas em sua equipe denota falta de preparo da gestora. "Por mais que a prefeita mude de secretários, não consegue mudar o perfil sem rumo da gestão. Falta postura de gestora, de estadista. Parece que ela quer começar a administrar agora. Qual o sentido disso tudo", questionou.
George Câmara disse acreditar que as mudanças realizadas pela prefeita na última reforma constituem a última tentativa da chefe do Executivo municipal de tentar viabilizar sua candidatura à reeleição. "Na minha visão, ela está indo para o tudo ou nada. Sabe que da forma que está não tem condições de concorrer à reeleição. Vai para a última cartada", avaliou.
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