Natal, segunda-feira, 21 de Maio de 2012
Política

ENTREVISTA » "A AL é a voz e o carro de som do povo potiguar", diz Ricardo Motta

Publicação: 12/02/2012 09:04 Atualização:

Allan Darlyson, Edilson Braga e Juliska Azevedo, DIirio de Natal/O Poti
 
Liderado político da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), o presidente da Assembleia Legislativa (AL), Ricardo Motta (PMN), manifestou, em entrevista a'O Poti/Diário de Natal, simpatia pela pré-candidatura do deputado federal Rogério Marinho (PSDB) à prefeitura de Natal. No entanto, frisou que a escolha do nome que será apoiado pela sua legenda dependerá de conversas internas do partido e da definição da governadora.
 
"O PMN apoiará a candidatura que nosso sistema político indicar. Nós fazemos parte de uma coligação que tem a governadora Rosalba Ciarlini como comandante. O PMN haverá de ouvir também internamente nossos companheiros. Rogério Marinho é um excelente nome, como outros que também pleiteiam", declarou. O parlamentar também comentou a desistência da filiação ao PSD aos "45 minutos do segundo tempo", a pré-candidatura do filho Rafael Motta (PP) a vereador de Natal, os desafios da Assembleia Legislativa para 2012, a onda de violência que Natal enfrenta hoje e a preparação da cidade para a Copa de 2014.Confira a entrevista:

O ano passado foi decisivo para o senhor politicamente. O senhor chegou a compor a comissão provisória do PSD, mas, no momento final, decidiu permanecer no PMN. Por que essa decisão?

Minha amizade com o vice-governador Robinson Faria está acima de questões políticas. Eu, como presidente do poder legislativo, preferi ficar num partido que tivesse autonomia. Não pretendia me filiar à legenda do vice-governador, que faz parte do Executivo. Queria uma legenda desvinculada do governo, para ter autonomia. Se tivesse ido, ficaria subordinado ao Executivo. Então, optei pela independência. Mas, em nenhum momento isso abalou minha amizade com Robinson. Foi isso que ocorreu. Existe uma afinidade, uma amizade entre nós. Não ocorreu mudança de rumo. Minha decisão foi para preservar a independência dos poderes. Isso ocorreu em anos anteriores, quando Robinson saiu do PFL e fundou o PMN noRN. Ele, por meio da sua competência, fez com que fosse um dos maiores partidos do estado.

Por que então o senhor deixou para decidir ficar no PMN somente no momento final, e não desde o início, quando Robinson o convidou para o PSD?

Participei desde o início do processo de criação do PSD, com os deputados Raimundo Fernandes, Vivaldo Costa, Gesane Marinho, todos os deputados daquele grupo. Mas, em seguida, numa análise mais profunda, vimos que poderíamos trabalhar em partidos distintos, o PMN como o PSD. Infelizmente, houve desdobramentos, que foi o rompimento do PSD com o governo. Daí, o PMN não teve nenhuma participação nisso. Pelo contrário. O PMN torce para que haja uma união entre os dois.

O PMN vai apoiar a candidatura do deputado federal Rogério Marinho a prefeito de Natal?

O PMN apoiará a candidatura que nosso sistema político indicar. Nós fazemos parte de uma coligação que tem a governadora Rosalba Ciarlini como comandante. O PMN haverá de ouvir também internamente nossos companheiros. Rogério Marinho é um excelente nome, como outros que também pleiteiam. Todos eles estão capacitados para receber nosso apoio. Mas é um assunto para ser discutido internamente pelo PMN, sem perder a sintonia com a governadora.

Mas hoje a tendência do apoio do grupo é por Rogério?

Pelo que tenho acompanhado, é por Rogério. Já conversei com ele. Eu tenho certeza que ele prefeito dará uma grande levantada na administração municipal. Mas existem outros nomes que pleiteiam ser candidatos que também têm condições.

O senhor acredita que Rogério Marinho tem densidade eleitoral para segurar a candidatura até as convenções?

A campanha não começou. A campanha não está deflagrada. Somente o futuro dirá. Aqui houve uma época em que Geraldo Melo tinha 3% das intenções de voto e foi governador do Rio Grande do Norte.

Quando o tema são as eleições de 2012, DEM, PMDB e PR falam em formação de bloco onde for possível compor. Deixam o PMN de fora da aliança. O seu partido está sendo excluído das articulações?


Não. De forma nenhuma. O PMNestá em perfeita sintonia. O PMN está afinado com o sistema, com os partidos co-irmãos. Na verdade, houve uma reunião prévia entre eles em Brasília. Mas, o PMN está afinado. Tenho a convicção de que eles contam com o PMN, da mesma forma que o PMN também conta com eles.

Como o senhor define sua relação política e institucional com o governo hoje?

Eu diria que excelente. Tudo que temos pleiteado do governo, o governo tem sido sensível. Da mesma forma, a Assembleia Legislativa mostrou que é parceira do governo e acima de tudo do Rio Grande do Norte. Todas as mensagens do governo, praticamente, foram aprovadas, depois de discutidas. Tivemos várias matérias neste ano. A Assembleia tem sido solidária com o governo. E digo mais: a recíproca é verdadeira. O governo do estado não tem nos faltado. Espero que essa parceria, amizade e cordialidade continuem até o final da legislatura.

O senhor disse que a recíproca é verdadeira, mas o que se vê na Assembleia Legislativa são reclamações dos deputados da base, por falta de espaço no governo e emendas não liberadas. A recíproca é mesmo tão verdadeira?

A gente não pode dar aquilo que não tem. Foram liberadas algumas emendas. Outras não foram, muitas vezes até por falta de projeto. Se você tem em sua casa uma empregada que merece ganhar mil reais, mas sua receita só dá pra pagar R$ 700, você só vai pagar o que pode. Quando a receita melhorar, você paga o que ela merece. É assim a situação do governo. Esperamos que, neste ano de 2012, o governo saia do sufoco e possa contemplar os deputados, com indicações e liberação de emendas. Isso é o que tenho escutado da governadora.

Quais os desafios da Assembleia para este ano?

Não existem desafios maiores, porque estou lá há muitos anos. Já passei por vários períodos eleitorais. Esse é um ano eleitoral. Tenho certeza de que as sessões serão normais, com boa freqüência dos deputados, apesar de estarem fazendo campanhas nos municípios. Com a volta do horário das sessões pela manhã, a disponibilidade de tempo será maior. E os debates também serão freqüentes. Acredito que muitos assuntos políticos serão abordados. Também continuaremos realizando audiências públicas sobre temas importantes para a sociedade, como a Copa de 2014, a segurança, as estradas e outros assuntos. O desafio maior foi neste primeiro ano, por causa dos planos de cargos e salários e os movimentos grevistas. Acredito que o governo tem uma perspectiva real de superação dos problemas do ano passado. Com isso, deveremos ter uma Assembleia menos congestionada. Essa é a nossa perspectiva. É o que sinto.

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