Natal, quinta-feira, 17 de Maio de 2012
Esportes

GOLEIRO » Advogado potiguar lembra os tempos como arqueiro do Vasco e do América

Publicação: 19/02/2012 07:58 Atualização: 19/02/2012 09:16

De Ana Paula Andrade, especial para o Diário de Natal
 
Em plena Copa do Mundo de 1970, na capital potiguar, nascia um homem que viveria, anos depois, para o futebol. Goleiro, ex-atleta, atual presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Estado, advogado, assessor jurídico e ex-presidente do TJD, são muitas faces para descrever Felipe Augusto Leite, torcedor fanático do Vasco da Gama e América de Natal, times que atuou na sua temporada de jogador profissional. Foi devido a mudança de casa e a paixão da família pelo futebol que levou Felipe para o esporte. Após se mudar para as proximidades do antigo estádio do América, hoje uma famosa rede de supermercados da capital, passou a frequentar o local aos sete anos de idade, entrando em 1977 para a categoria Mirim do time rubro pelas mãos do técnico Basílio. A infância repleta de vitórias o levou, ainda muito novo com apenas 15 anos, para o banco dos profissionais do alvirubro potiguar.

Neste dia o gerente do estádio, antigo Castelão, barrou o então profissional pela pouca idade, mas nosso goleiro foi socorrido pelos companheiros.

"Lembro que foi o meia Souza, que jogava conosco e depois jogou o Brasileirão no Alecrim em 1986, que disse: "Esse é o nosso goleiro e vai ser o maior que o América já teve", lembrou Felipe que no mesmo ano conheceu o lado amargo do futebol. "Foi após a derrota na final do campeonato estadual, entre ABC x América, todos os jogadores em campo se envolveram numa pancadaria generalizada, menos eu, justamente o que recebeu a maior penalidade, 40 dias sem jogar", conta o ex-arqueiro.

No outro ano, Felipe realizou um grande sonho ao tornar-se profissional no outro time do coração: Vasco da Gama. Mudou para a capital Fluminense e até hoje tem essa ascensão como a maior conquista de sua vida. Passou a conviver com lendas do futebol como Sorato, Bismark, William, Carlos Germanos e tantos outros que agora tornaram colegas de time.

Com o surgimento de uma nova oportunidade, resolveu ir jogar fora do Brasil. Nos Estados Unidos atuou pelo Miami Shark's, onde conheceu Dirceu Guimarães. "Não foram tempos fáceis. Mas valeu a pena por jogar com o Dirceu, maior jogador com quem atuei, campeão italiano com três Copas do Mundo na bagagem" diz. De volta ao Brasil, por não se adaptar ao futebol da Terra do Tio Sam, Felipe passou um tempo apenas treinando em Natal devido a impedimentos contratuais com o Vasco da Gama.

Depois de muitas tentativas e alguns sacrifícios voltou a jogar, só que não havia mais tempo para a bola."Minha maior sacada foi nunca largar os estudos, sempre conciliei, e quando passei em Direito na UFPB, sabia que não conseguiria fazer as duas coisas bem feitas: a faculdade e os gramados." Chegou a difícil hora da vida de um jogador, o momento de parar. "Sou muito espiritualista, acredito em destino. Não me arrependo de ter largado o futebol. Tenho amigos milionários, mas a maioria está na pior."

Escolha pelo Direito foi natural

A escolha pelo Direito foi natural. "Na minha casa o café da manhã era Direito trabalhista, sou filho de juízes dessa área, foi inevitável não segui-los" disse Felipe orgulhoso da carreira que escolheu. Mesmo fugindo do estigma de herói, o ex-goleiro é responsável pela maioria das causas trabalhistas ganhas pelos atletas de futebol do Rio Grande, e admite que essa unanimidade está relacionada a credibilidade que conquistou. "O atleta é desconfiado por natureza, não é uma profissão fácil. É difícil adquirir confiança nas pessoas." Quando ingressou na Universidade não sabia se o futebol entraria na sua vida profissional novamente, mas as boas relações com os esportistas trouxeram o ex-goleiro, agora estudante de direito, ainda no primeiro no ano de faculdade para assessorar juridicamente a AGAP, Associação de Garantia ao Atleta Profissional, cargo que exerce até hoje, quase 20 anos depois.

Em 1995, logo após sua formatura, é convidado pelo então goleiro do ABC, Jorge Pinheiro, para mover uma ação trabalhista contra o América Futebol Clube. Aquela foi a primeira de muitas vitórias a favor dos direitos trabalhistas de tantos atletas."Os problemas dessa área da advocacia que escolhi são com a torcida. Como sou americano, sou muito cobrado quando existe alguma ação contra o time. Mas levo da forma mais profissional possível", revela. Em 2002, Felipe tornou-se presidente da TJD, Tribunal de Justiça Desportiva, sacramentando-se como o primeiro atleta a assumir esse cargo no Estado.

Em 2007, junto a outros desportistas fundou o Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Rio Grande do Norte, SAFERN, e assume o cargo de Secretário Geral. Três anos depois, após a renúncia de Carlos Moura Dourado do cargo, torna-se presidente através do estatuto social da instituição. Organizado guarda todas as lembranças e recortes de matérias de jornais e revistas. Traz consigo inúmeras histórias contadas pelo Diário de Natal desde a época de jogador até os tempos de jurista. Os planos para o futuro desse sonhador são de consolidaro sindicato e criar uma fundação para ajudar jovens carentes que queiram se profissionalizar no futebol. "Sonho com um futebol mais profissional, mais maduro e mais integro" finaliza o ex-atleta.

Esta matéria tem: (0) comentários

Não existem comentários ainda

Comentar

Para comentar essa notícia entre com seu e-mail e senha

Caso você não tenha cadastro,
Clique aqui e faça seu cadastro gratuito.
Esqueci minha senha »

Compartilhe
| Mais

Envie sua história e faça parte da rede de conteúdo dos Diários Associados.
Clique aqui e envie seu vídeo, foto, podcast ou crie seu blog. Manifeste seu mundo.